sexta-feira, 14 de novembro de 2008

ABACAXI NÃO DÁ EM ÁRVORE



Há uma história muito pitoresca que ouvi de minha esposa e que sempre gosto de contar.
Soube que há muito tempo, um italiano conhecido da família, ao experimentar abacaxi, apaixonou-se por ele. Um dia, saiu com essa pérola: "meu sonho é subir em um pé de abacaxi e me fartar de tanto comer a fruta". Coitado, no mínimo, sairia todo espetado!
Não tinha obrigação de saber que a "árvore" seria uma bromeliácea rasteira e espinhenta.
Sorocaba, apesar de um intenso grau de insolação, tem sido aquinhoada pelas administrações tucanas com praças áridas. Praças que compõem, com os canteiros centrais das avenidas, uma paisagem pasteurizada formada por grama esmeralda, arbustos e palmeiras. Aliás, muitas palmeiras!
Uma tarde de verão, passei por uma praça próxima da Avenida Américo de Carvalho e chamou-me a atenção o fato de um trabalhador descansar sentado em um dos dois únicos bancos, sobre um retângulo de concreto e sob o escaldante sol das quinze horas. Nem uma sombra. Nem uma mísera sombrinha! Era uma praça formada por, claro, grama esmeralda, aqueles dois bancos e uma dúzia ou pouco mais de palmeiras.
Os técnicos da prefeitura deveriam usar melhor seus conhecimentos sobre a fisiologia vegetal e as qualidades ambientais de uma árvore. Estes, sim, deveriam ser os critérios primeiros a se lançar mão para a escolha das espécies que deveriam compor a arborização urbana.
Que fique claro: nada contra os atributos paisagísticos das palmeiras, mas por que não se perguntar o óbvio: quanto de sombra fornecem aquelas palmeiras? Quanto de oxigênio produzem e quanto de gás carbônico absorvem? Quanto uma palmeira umidifica o ar? Quanto resfria o ambiente? Façam-se as mesmas perguntas, por exemplo, em relação a uma frondosa Tipuana.
Pronto! Duvido que a escolha recaia sobre as tais palmeiras.
Ora, árvore não serve só para embelezar o ambiente! Isso é importante, mas essa não é sua principal qualidade.
O italiano podia não saber nada de abacaxi, árvores ou bromélias, a não ser seu sabor, mas os técnicos da prefeitura não podem ignorar que as árvores não são puro enfeite!

4 comentários:

Ana Tapadas disse...

É bom encontrar um blogue sério na blogosfera!
Gostei de ler.

Demis Lima disse...

Parabéns pela critica que faz ao atual modelo de palmeirização que impera aqui em nossa cidade.
São R$ 10.000, oo por dia gastos de forma arbitrária.
Tenha comigo e o prazer de fazer parte do grupo de pessoas lúcidas que se levantam contra isso.

Juliana disse...

Gabriel, o local onde trabalho tem uma paisagem bem sorocabana também: grama esmeralda e palmeirinhas! Uma universidade, com muitos professores especialistas, e é essa a paisagem também, fora um imenso deserto ao lados dos prédios. Você sabe bem de onde estou falando...rsrs
Sustentabilidade? Só no papel mesmo.

Rafaella Visconti disse...

Rs
Adorei o post !