quinta-feira, 16 de abril de 2009

A noite do beijo





O ano era 1981.
Minha comadre, Marina, morava em uma pequenina cidade da Alemanha.
Um dia, recebeu um jornal onde, naquelas colunas sobre política e curiosidades, havia algo que deveria estar assim escrito: em uma cidade no interior do Brasil um juiz decidiu proibir certos “tipos” de beijo em locais públicos.
A cidade era Sorocaba e, sim, um juiz resolveu tipificar os beijos permitidos e os proibidos. Proibia “os beijos cinematográficos, em que as mucosas labiais se unem em uma expansão insofismável de sensualidade”. Proibia mais, ainda. Proibia “as apalpadelas, apertões, abraços indecorosos, beijos prolongados ou qualquer ato libidinoso, quando praticados em locais públicos”.
Quando nos reencontramos no Brasil, na mesma Sorocaba, ela relembrava, com espanto: “fiquei pasma em saber que a cidade era a que você estava morando. Tão grande e tão próxima de São Paulo!"
Em momento mais recente, ainda como vereador na Câmara da mesma Sorocaba, debatia com um colega de legislativo uma situação, também, pautada por moralismos anacrônicos. Ele defendia um projeto que, na prática, proibiria a implantação de motéis na cidade. No auge do debate, dizia-me ele, estupefato: “o que fazem os casais nos motéis?" Ora, ora, ora!!!!
O nobre edil satanizava os estabelecimentos e, por via de conseqüência, tudo o que poderia acontecer entre aquelas quatro paredes – com ou sem teto retrátil.
Pois é, como a gente pode ver, os anos passaram, mas nem tudo mudou tanto quanto deveria.

P.S. Parabéns ao Carlos Batistella pela idealização do manifesto contra a portaria autoritária daquela época e pelo lançamento do livro “Noite do Beijo”, nesta quarta-feira,15 de abril - evento em que tive o prazer de participar junto de grandes amigos daquela época, claro, no delicioso Bar Depois!

2 comentários:

Anônimo disse...

Olha só a Marina no blog do compadre!


MUUUUUUUUITOOOOOSSSSS BEIJOS.

Maria disse...

Importantissima a iniciativa do Carlinhos de dar a dimensão histórica daquele momento através do livro e da reunião dos que viveram aquele momento em torno do tema.
Desnecessário destacar o prazer dos encontros.Quem tava sabe...

Edith