segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Os Catadores, o Meio ambiente, o Estado e a Coleta Seletiva de Lixo


Não é a coleta seletiva de lixo e a posterior reciclagem, “a salvação da lavoura” no que diz respeito aos resíduos que produzimos. Antes disso, é preciso que a sociedade repense seus hábitos de consumo, reduza, reutilize...Mas a coleta seletiva é um importante instrumento para se dar destino adequado aos resíduos recicláveis.
Nosso aterro sanitário, conforme demonstramos em outra oportunidade, teria pelo menos mais cinco anos de vida útil se o governo municipal tivesse cumprido a lei – de nossa autoria – que instituiu a obrigatoriedade da coleta seletiva de lixo desde 1997.
Mas a realidade está longe disso!
Os catadores, para conseguirem “parcerias” com o Poder Público, tiveram que “ocupar” áreas públicas, como os galpões na Vila Nova Sorocaba, em uma oportunidade e o da Rua Chile, em outra, ou até “ocupar” o sexto andar da prefeitura para que o mandatário de plantão à época cumprisse com compromissos acordados.
Por outro lado, teve, a Cooperativa de Catadores de Sorocaba – CORESO -, um grande impulso, em razão das medidas de compensação que o Carrefour Chácara Sônia Maria realizou, em um acordo que fizemos. Recebeu, fruto do acordo, seu primeiro caminhão a diesel e três galpões – um no Vitória Régia, outro no Parque São Bento e um terceiro no Júlio de Mesquita.
A despeito do relevante papel ambiental representado pelo serviço dos catadores, parece ter sido cômodo ao Poder Público contar com eles, sem oferecer o suporte necessário. Assim, a Coleta Seletiva no Município sairia com o mínimo esforço do governo municipal. Seria o tal “mercado” regulando os negócios com o material reciclado e os catadores vivendo da venda desse material.
Mas, a primeira peça do dominó do mercado imobiliário estadunidense ruiu, levou junto outra peça, mais outra e tantas outras, que acabou chegando à Coreso. Esta viu o número de catadores cair de 140 para 70 e o valor de suas retiradas mensais passar de 600 para 200 reais.
O modelo neoliberal que, falindo, buscou ajuda do Estado para socorrer bancos e outras instituições de capital privado não poderia, na esfera local, socorrer os catadores e, mais do que isso, socorrer o meio ambiente? Quanto mais catadores trabalhando – com dignidade e organizados em cooperativas - menos resíduos sólidos exaurindo a vida útil do aterro sanitário, menos energia, água e matérias-primas consumidas para produção de bens materiais. Antes que se argumente o contrário, é bom afirmar: isso não é gasto, é investimento!
Mais. Se o governo municipal paga – e bem – uma empresa privada para recolher os resíduos sólidos (muitos destes, recicláveis!), porque não subsidiar os catadores? Apenas subsidiar!
Está na hora do governo municipal cumprir a lei de forma a produzir bons frutos no campo social e ambiental.

2 comentários:

Marcelo Cury disse...

Parabéns pelo iniciativa de criar um blog pra debater um assunto tão importante! Já salvei nos favritos. Apesar de nunca ter gostado e de continuar não gostando do PT, sempre admirei as boas cabeças do partido. E você é uma delas. Aliás, o partido em Sorocaba é bem servido de boas cabeças. Abração. Marcelo Cury

Perdidos na Trilha disse...

Meu caro Gabriel,

Eu sou o Fernandão, aquele que falou lá no posto Lótus, para você não sair candidato a prefeito, sou irmão dos gêmeos...rs..rs....

A sociedade não repensa, não reduz, e não reutiliza porque acredita que: 1º não precisa, 2º porque espera que o vizinha o faça, 3º porque acredita que pondo os recicláveis no saco e dando para o ‘’catador’’ esta fazendo um bem enorme – dando trabalho para o catador – e de quebra para o meio ambiente.

Esquecem que catar lixo é o substrato da pobreza. No tocante as compensações ambientais que o Carrefour “tinha “ que fazer e não fez gostaria de lembrar que aquele buraco abandonado no Sorocaba 1, continua lá do mesmo jeito, ou seja, o povo jogando lixo, entulho em cima das nascentes, e um sujeitinho de plantão impedindo de construir uma pista de moto-cross, ai veio a pergunta: quem é responsável por essa área? Prefeitura diz que é do Carrefour , Carrefour dizendo que só ia dar as mudas para plantio, mas a responsabilidade é da prefeitura... moral da história= “Ninguém é de Ninguém”.

Aterro municipal: ta na cara que já existe a área, ta na cara que alguém vai lucrar muito com isso.

Catadores: continuem catando o lixo que eu to jogando, se você ficar doente vire-se nos PA’s da vida.

Vizinho: to de olho em você, você ta usando a mangueira como vassoura d’agua... mas não olhe aqui, porque to gastando água pra lavar o meu carrão.